- CONTEXTUALIZAÇÃO DA PROPOSTA LEGISLATIVA
Encontra-se em debate no Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição nº 8/2025, de autoria da Deputada Erika Hilton, que propõe a redução da jornada semanal de trabalho para até 40 horas, com a consequente eliminação da tradicional escala 6×1 e adoção de modelos como 5×2 ou 4×3. Há outras PECs sobre o tema.
A proposta, que visa promover maior qualidade de vida ao trabalhador, está prevista para apreciação na Comissão de Constituição e Justiça até abril de 2026, com possível votação em Plenário no mês subsequente.
Trata-se de alteração estrutural no modelo de organização do trabalho no Brasil, com impactos diretos e relevantes sobre a economia, o mercado de trabalho e, de forma particularmente sensível e direta, sobre setores intensivos em mão de obra e funcionamento contínuo, como é o caso do segmento de refeições coletivas.
- O QUE REPRESENTA, NA PRÁTICA, O FIM DA ESCALA 6X1
A escala 6×1 constitui, historicamente, um instrumento de organização produtiva amplamente utilizado em setores cuja demanda não se limita aos dias úteis tradicionais, incluindo alimentação, comércio, serviços e turismo.
Sua extinção implicaria, na prática:
- Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas;
- Ampliação obrigatória dos períodos de descanso;
- Necessidade de reestruturação integral das escalas operacionais;
- Redefinição da relação entre custo de mão de obra e produtividade.
Vale destacar que, em setores com operação contínua, como o de refeições coletivas, a jornada 6×1 não representa precarização, mas sim um mecanismo de viabilização do serviço prestado à sociedade.
- IMPACTOS MACROECONÔMICOS E NO MERCADO DE TRABALHO
Estudos técnicos indicam que a implementação imediata da jornada de 40 horas semanais pode gerar efeitos econômicos relevantes.
Segundo levantamento da FGV:
- Redução do PIB em até 6,2%;
- Aumento do custo da hora trabalhada em aproximadamente 22%;
- Queda na renda per capita;
- Fechamento de empresas e redução de postos de trabalho.
Além disso, a produtividade do trabalho não apresenta crescimento suficiente para compensar o aumento dos custos.
No mercado de trabalho, projeta-se:
- Potencial aumento da informalidade;
- Redução de vagas formais em setores intensivos em mão de obra;
- Impactos desiguais entre trabalhadores.
Esses fatores indicam que a medida pode gerar efeitos contrários aos objetivos sociais, caso não haja planejamento adequado.
- IMPACTOS DIRETOS NO SEGMENTO DE REFEIÇÕES COLETIVAS
O setor de refeições coletivas é essencial, de operação contínua e altamente dependente de mão de obra.
4.1 Aumento de custos operacionais
- Elevação da mão de obra em mais de 20%;
- Impacto direto em contratos com margens reduzidas;
- Pressão financeira em empresas e órgãos públicos.
4.2 Necessidade de mais colaboradores
- Aumento da folha de pagamento;
- Mais encargos trabalhistas;
- Maior complexidade na gestão;
- Agravamento da escassez de mão de obra.
4.3 Reestruturação operacional
- Redesenho de escalas;
- Criação de novos turnos;
- Ajustes contratuais;
- Riscos operacionais e de segurança.
4.4 Impacto no preço final
- Aumento do preço das refeições;
- Pressão sobre contratos;
- Impacto inflacionário.
4.5 Risco à competitividade
- Redução de margens;
- Perda de competitividade;
- Possível encerramento de operações.
- DESAFIOS E RISCOS ESTRUTURAIS
A implementação imediata da nova jornada pode gerar:
- Falta de transição adequada;
- Ausência de compensações;
- Baixa produtividade da economia;
- Desconsideração das diferenças entre setores;
- Risco de desorganização de cadeias produtivas.
A experiência histórica mostra que reduções abruptas de jornada não geraram ganhos de produtividade.
- NECESSIDADE DE UM DEBATE RESPONSÁVEL
A ABERC reconhece a importância do debate sobre a modernização das relações de trabalho.
Porém, ressalta que:
- O momento econômico pode não ser adequado;
- Há dificuldades com mão de obra;
- É necessário planejamento estruturado.
Recomenda-se que a mudança considere:
- Implementação gradual;
- Diferenças entre setores;
- Mecanismos de compensação;
- Políticas de produtividade.
Segundo especialistas, mudanças abruptas podem aumentar informalidade e desemprego.
- CONCLUSÃO INSTITUCIONAL
A ABERC entende que:
- A proposta apresenta riscos relevantes à economia e ao mercado de trabalho;
- O setor de refeições coletivas será um dos mais impactados;
- A implementação imediata não é adequada ao cenário atual;
Reconhece-se a possibilidade de evolução futura dos modelos de jornada, mas destaca-se que mudanças devem ocorrer com:
- Planejamento;
- Responsabilidade;
- Respeito às particularidades dos setores.
Caso contrário, podem comprometer a sustentabilidade das atividades e os empregos.
Por Eliezer Souza – Diretor de Recursos Humanos ABERC
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